Você conhece a origem da expressão "feito nas coxas"?
Numa visita a 11.ª Bienal do Mercosul, sob o título "O Triângulo do Atlântico" retomei o contato com a expressão. Emocionada em lembrar do período em que meus ancestrais eram escravos, retomei a expressão com certo desconforto. No entanto, creio que seja válida a referência neste meu microcosmos do Blog PPP.
A proposta desta Bienal, segundo o programa educativo é:
Numa visita a 11.ª Bienal do Mercosul, sob o título "O Triângulo do Atlântico" retomei o contato com a expressão. Emocionada em lembrar do período em que meus ancestrais eram escravos, retomei a expressão com certo desconforto. No entanto, creio que seja válida a referência neste meu microcosmos do Blog PPP.
A proposta desta Bienal, segundo o programa educativo é:
" A peculiaridade desta Bienal é reunir pela primeira vez, arte africana, afro-brasileira e indígena em diálogo, reconhecendo o legado do grande impacto da diáspora negra na construção do Brasil. O trânsito comercial que estabeleceu o Triângulo Atlântico foi um instrumento de expansão ibérica colonial que recebeu justificativa religiosa na época, pois o comércio de escravos também servia como reparação à evangelização das comunidades indígenas. Milhões de homens e mulheres, oriundos de grupos étnicos africanos distintos, foram capturados e despersonalizados, vendidos como escravos por uma engendrada rede de comerciantes negreiros. Sabemos que quase a metade de todo o tráfico negreiro veio para o Atlântico Sul, sendo a antiga costa litorânea do Rio de Janeiro o grande porto de entrada da diáspora negra, enfatizado na declaração de tombamento do sítio arqueológico do Cais do Valongo como Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO no último ano."
Por conta deste diálogo, a 11.ª Bienal do Mercosul possibilitou várias reflexões sobre uma das funções da arte: não ser apenas decorativa ou manifestação estética, mas um instrumento ofensivo e defensivo de guerra, como já afirmava Pablo Picasso.
Mas e o feito nas coxas, chega em que momento?
No Brasil Colonial, conta-se que a produção de telhas era feita por escravos que não podiam ser muito grandes ou ter os músculos das pernas desenvolvidos pois produziam as telhas de barro nas suas coxas.
Como existiam muitos escravos e de tamanhos diferentes, as telhas nem sempre tinham o mesmo tamanho. Ao serem colocadas nos telhados tais objetos não ficavam perfeitamente encaixados e, desta forma, deixavam falhas que nos dias de chuva possibilitavam o aparecimento de goteiras. Assim, o que era "feito nas coxas" era facilmente ligado a um trabalho mal feito.
E este foi o conceito de umas das obras mais belas esteticamente e conceitualmente: tratava de forma poética uma relação entre a produção e o produtor, por sua vez escravizado. Amei!!!
A arte realmente cumpre seu papel de, com cores, traços e formas, expôr, criticar, defender e atacar.
E este foi o conceito de umas das obras mais belas esteticamente e conceitualmente: tratava de forma poética uma relação entre a produção e o produtor, por sua vez escravizado. Amei!!!
A arte realmente cumpre seu papel de, com cores, traços e formas, expôr, criticar, defender e atacar.






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